Leiam este depoimento colhido num grupo de discussão de jornalistas judeus de uma menina que viu um atentado terrorista em Jerusalém,Israel
“ Pessoal,
Aconteceu. E o pior... Eu vi!
Escrevo agora de um cyber café nos arredores da Rua Yaffo, onde
acabou de ter um atentado, como vocês já devem saber. As lagrimas já
passaram, o nervoso tb...
Foi na mesma esquina da já famosa pizzaria Sbarro, no coração de
Jerusalém! Esquina das Ruas Yaffo e King George... Eu atravessei a
esquina com uma colega de albergue, andei uns 50 metros e... BUM! Um
estrondo! Virei para trás e só vi fumaça e pessoas correndo e
gritando. Me senti presa no chão. Agarrada. Não conseguia me mexer.
As lagrimas vem instantaneamente, ao mesmo tempo em que vc pensa o
que fazer. A sensação e de desespero, vc não sabe se corre, se para,
a policia chega na hora, soldados correndo por todos os lados e vc
nomeio do tumulto. Se ficar parado, e perigoso... Pode ter outra
bomba, se correr... Pra onde? Não se sabe quem esta do seu lado. A
multidão, ao mesmo tempo que protege, assusta. Afinal, as multidões
são um "prato cheio" para os terroristas.
To escrevendo isso porque já liguei para casa, já tomei água, fui ao
banheiro... Mas, to entalada. Não dá para chorar mais. Secou. Tb
não to sentindo medo. Não sei explicar... Mas, preciso dizer a
vocês que to com um no na garganta. Eu passei EM FRENTE, NO LOCAL
EXATO da explosão. Ouvi tudo... Vi tudo... Nossa...
Tudo isso, no meio do caos, ainda tendo que racionar, em hebraico,
para perguntar aos soldados o que fazer, para onde ir, o que tinha
acontecido... Nossa... To me sentindo dentro de um filme de terror.
As pessoas choram na rua, todos se entreolham, meio de cabeça baixa.
Ao mesmo tempo, olham nos seus olhos e, acho, se sentem
meio "culpadas" por estarem vivas. Eh tudo muito estranho. Não
esperava ver isso aqui. Juro. Como já disse a vocês, não se sente o
clima ruim no dia a dia. Ate que... SHit happens.
Quero voltar para o meu albergue, mas ta tudo fechado. Tem policia,
exercito e helicóptero sobrevoando o centro. To aqui com mais uma
brasileira e vamos ver o que vai acontecer. Vamos sentar, dar um
tempo e ver se podemos passar...
Desculpem o e-mail. Mas, eu precisava contar a vocês essa
experiência. Não da para passar o clima que ta aqui. Eh impossível.
Mas, garanto que nunca vi nada igual. A imagem que mais marcou foi
quando olhei pra trás e vi a fumaça... As sirenes tocando, religiosos
correndo... Ai... Enough!
Enfim... I am alive.
Renata”

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