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quinta-feira, janeiro 24, 2002

VIDA DE CÃO


Uma mulher entra na nossa vida como um cachorro em nosso lar.

O 1o encontro
O animal compra-se em loja, ganha-se de presente, ou acha-se na rua. Com o animal (desculpem a palavra) do sexo feminino não é muito diferente. Ou você conhece na rua, ou é apresentado por um conhecido (como um presente), ou tem gente que compra este tipo de companhia. Mas de qualquer jeito, o primeiro encontro é sempre parecido.
O começo da relação
No começo da relação, no período de identificação com o dono, o animal leva algum tempo para se ambientar. Cheira, marca território, anda pra lá e pra cá, escolhe um canto e se acomoda. Com a mulher também. Dias ou meses de reconhecimento, cinemas, bares, restaurantes. Dentro de casa marca seu território, escolhe seu canto (o seu quarto) e deita (literalmente). O convívio começa sempre agradável, cada passeio na rua uma surpresa. As necessidades do cachorro são apenas um pretexto para se desfilar com seu novo animalzinho. Já com a moça, o inicio é sempre maravilhoso. Muitas festas, poucas brigas, sexo bom, juras de amor eterno.
Bons amigos
E quando os dois se conhecem? Aí é um marco. Suas duas peças chaves se identificam instantaneamente, mesmo que não seja recíproco. O que interessa é agradar o dono, ou seja, você. O animal, coitado, sem muita escolha, tem de aceitar a disputa com sua nova “mamãe”. Já pelo outro lado, nem sempre o acordo é bem vindo. Mas pela relação, dividir a cama com um filhotinho fofinho, não é má idéia.
-Muito fofinho!Como é mesmo o nome dele?
As incríveis coincidências
Um belo dia você abre a porta de sua casa e lá esta ele, deitado perto da porta, como quem diz
-E aí chapa, pode entrar, fica a vontade! Você nem liga. Passa por cima, e no máximo faz algo parecido com
-O neném do papai, tá dormindo? E o animal vem atrás abanando o rabinho. O espaço do cão já foi instituído e não há mais como evitar. É uma relação de amor. Costume.
Com ela, claro, é tudo igual. Um belo dia você chega em casa e ela está na mesa, jantando com sua mãe. Você dá boa noite e entra para seu quarto. Ela vem atrás gritando “amor, amor!” .
O tempo passa, os dias se vão e as cenas se repetem. O carinho é igual com os dois. Passeios pelo parque, praia, fotos, tudo registrado. No coração.
A família
Seus pais adoram. A casa é grande e mais alegre agora com o cãozinho.
-Você estava precisando mesmo de um amigo.
E a sua namorada?
-Ah, essa é linda, um amor!- gritam em coro os familiares.
O amor está no ar.
O inicío do fim
O tempo. Sempre ele, o juiz da vida, leva seus companheiros embora. Uma vida inteira, uma dedicação de anos, dinheiro investido, carinho, costume, paixão. Mas é o fim. Acabou. Só fotos para contar histórias. E olha que com o animal, nem diálogo houve. Vocês nunca se falaram!Quase uma adivinhação de pensamentos. Nem com ela foi tão intenso.
Mas é coincidentemente do mesmo modo que acaba o relacionamento com a mulher. De uma hora para outra a fábula termina. Sem mais nem menos, sem despedida. Nem um ultimo olhar. A morte.
As duas figuras tão queridas das espécies que você conviveu durante todo o tempo se vão. E você volta ao inicio, sozinho, do zero, como se nada tivesse acontecido. Agora, só mesmo arrumando outro filhote e quem sabe... uma companhia para ele.

p.s
hoje foi um dia de boas ondas e a boa da night- show na marina da gloria

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