Holanda pensa em proibir turistas em cafés que vendem maconha
Por Wendel Broere-Reuters
MAASTRICHT, Holanda (Reuters) - A Holanda está planejando um esforço para conter o turismo de consumidores de drogas, com uma medida que proibirá os turistas de entrarem nos cafés que vendem maconha.
As drogas leves são proibidas na Holanda, mas o país mantém uma política de tolerância que permite a cada pessoa portar 5 gramas de maconha. Cafés autorizados pelo governo podem manter um estoque de meio quilo.
"Estamos desenvolvendo um sistema pelo qual pessoas que não tiverem registro na Holanda não poderão entrar nos cafés", disse Ivo Hommes, representante do Ministério da Justiça. Um projeto-piloto terá início em Maastricht, na extremidade sul da Holanda, nos próximos meses.
A cidade, na fronteira com a Alemanha e a Bélgica, é a que atrai mais turistas na Holanda depois de Amsterdã. Entre eles está um número estimado de 1,5 milhão de consumidores de drogas, disse o prefeito da cidade, Gerd Leers, na sexta-feira.
Há cerca de 400 mil consumidores de maconha na Holanda, e eles podem comprar e fumar a droga abertamente, para a irritação dos países vizinhos. A população da Holanda é de 16 milhões de habitantes.
O governo de centro-direita quer conter o turismo de drogas, respondendo também à pressão dos parceiros europeus.
O número de cafés foi reduzido de 1.200, em 1997, para 754 no país todo, em 2003, segundo números do instituto Trimbos, que estuda a dependência às drogas.
"Quando era membro do Parlamento em Haia, achava que era possível nos livrarmos da maconha tomando medidas duras. Mas, depois de ser prefeito de Maastricht por três anos, vejo que isso não funciona", disse Leers.
"É o efeito do 'colchão d'água'. Se você pressiona de um lado os problemas aparecem em outro lugar", disse.
O projeto-piloto ainda está tendo os detalhes definidos, mas os cafés temem que a medida crie mais problemas, enviando os consumidores para o mercado negro.
"Se os cafés forem fiscalizar na porta, as pessoas que não quiserem se registrar vão apelar ao circuito ilegal. Achamos que o problema só vai aumentar", disse Marc Josemans, presidente da associação de cafés oficiais de Maastricht. "Legalizem a maconha", foi sua sugestão.

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